27 de maio de 2010

"Pena... "

Leve e frágil pena.

Quem dera escrever como o poeta.
Quem dera abusar de cada palavra o seu sentido mais por mim sentido.

Ver o mato como Caeiro.
Ver o sexo como Neruda.

Sentir a "mensagem" de Pessoa.
Conhecer o José de Drummond.

Ser odiada como Jabor.
Ser amada como Vinícius

Sonhar Versos. Concretizar rimas.
Não ser clichê.

Dominar o tinteiro, subordinar-te.
Leve e frágil pena, perdoa tamanha brutalidade.

Quando o que mais queria era amar-te, e por ti ser amada, o que alcanço é a minimização da tua importância.

Perdoa minha insensatez, minha ignorância.
Perdoa minha ausência, perdoa meu descaso.

Um dia, encontrei a ti em meu pensamento.
Cheguei a fazer-te juras.
Oh pena, tu cumpriste as tuas, perdoa-me por não cumprir as minhas.

Roberta Scheer

26 de maio de 2010

"Yo soy mi casa"



Yo Soy Mi Casa.
Sou criada.
Sou errada.
Sou suja e mal-amada.


Sou humilde sem querer.
Sou espectadora do meu ser.
Sou minha própria consciência e sou parte da ciência.


Sou um céu que muda de cor.
Sou a pena do 'não-amor'.
Sou leve e frágil, pena. Sou um fervor.


Sou Ar e Terra, sou Água e Fogo.
Sou a metade e mais o dobro.


Sou todo o seu sonho criado pesadelo.
Sou também o inverso.
Sou um caminho sinuoso, sou um destino controverso.


Sou um desejo do bem maior, oriunda do prazer.
Sou ovários, sou hormônios, sou nervos.
De aço e de cabaço.


Sou confusão de pensamentos, sou imersão de sentimentos.
Sou o atalho indevido, teu maior inimigo.


Sou o que desejares, o que imaginares. Tua mente é a porta do TEU íntimo.


Sou também alva. A maravilha da pátria de Alice.
Sou o doce, o macio, a pieguice.
Sou a terra com palmeiras, a terra do sabiá.


Sou a cor azul, a cor a verde, a cor branca.
Sou um sonho de criança, uma mecha de esperança.


Sou meu próprio sonho, meu próprio desejo.
Sou o desafino do realejo.


Sou o que eu desejar, o que eu imaginar. Minha mente é a porta do MEU íntimo.


Roberta Scheer

4 de maio de 2010

"Vida Escrita"

O meu caderno é sim uma bagunça.
Minhas palavras confirmadas vêm após eu ter escrito as que não deveria.
E assim, tenho que apagá-las.
Quando uso caneta, não há mais volta.
Cada página é cheia de borrões, expressões mal desenhadas, erros de ortografia que tentei refazer.
Muitas vezes a escrita mal acompanha a perfeição das linhas, porém às vezes surgem falas, versos e palavras dignas de reimpressões.
O conteúdo, por vezes, é obscuro.
Se verificar, você poderá encontrar páginas cheias de desenhos abstratos e primários, non-sense para um leigo leitor: imagens que só têm sentido para mim.
Existem páginas com bordas, linhas rodeadas de pequenos e grandes detalhes que enriquecem o conteúdo. Mas a maioria delas não tem borda alguma. São simplesmente pautas completas de frases acompanhadas de si mesmas e da última página preenchida.
Todas as páginas tem algum detalhe característico meu. Só meu.
E a capa do caderno tem meu rosto estampado.
A dedicatória localizada nas primeiras páginas já foi alterada tantas vezes que me envergonho.
E é fácil perceber a diferença de vocabulário conforme o número no rodapé aumenta.
O conteúdo nunca é o mesmo, por mais que seja transcrito dos pensamentos e conhecimento de um indivíduo somente.
Alguma surpresa sempre existe mesmo que demore várias páginas.



Este é o meu caderno: é a minha vida.


Roberta Scheer

"Mash Comigo"


Tem alguém explicando o caminho para um estrangeiro.
Tem um bêbado saudando a lua.
Tem alguém correndo pra pegar o ônibus.
Tem uma mãe dando bronca em seu filho.

Enquanto isso o som bem alto nos meus fones de ouvido. Se alguém me pedir informação, me saudar ou se alguma mãe me der bronca, não vou ouvir.
A espera nesta noite faz a vida parecer um videoclipe. E muitas vezes faz sentido.
Às vezes, as imagens unidas à canção me deixam pra baixo, mas é ótimo quando a música me dá vontade de dançar, de sorrir, de agarrar no braço do bêbado e dançar tango com ele.
É revigorante! Me dá uma outra visão do que há em frente a meus olhos.
Uma vez, um amigo japonês ligou a música "Volare" do Gipsy Kings e me disse: "Para, escuta e vê se num dá vontade de sair voando e cantando!!"
E realmente dá! Até hoje dá! Tente fazer o mesmo...
O mesmo acontece com "Wannabe" das Spice Girls. Deus do Céu!! Não consigo ficar parada.

Essa é a graça da música. Esse é o espírito da coisa!
A música mexe com quem gosta e se deixa mexer.
Mas também um pedido:
Não seja preconceituoso achando que certos tipos de música não são bons o suficiente pra mexer com você.
Ouça um bom Rock n' Roll, um bom Hip Hop, R n' B, Pop, Funk, Sertanejo, Classic, Brega, Melodic Metal, Samba...
Ouça tudo, sem discriminação e somente separe o que mais mexe com você e surpreenda-se.
Abaixo alguns exemplares de músicas que eu permiti que mexessem comigo:









Robs =**