26 de junho de 2010

"Laranja Mecânica"


(ouça 9ª sinfonia de Beethoven)


Ora, ora, ora, meus irmãos e únicos amigos.
Tragam-me um pouco de moloko, preciso recarregar.
O mal retorna ao mal, e o bem não tem lugar?
Vamos, vamos, vamos.
Preciso de uma dose de coragem pra recomeçar.

Não sinto pena da sua pobre inocência, você me convidou a entrar por vontade própria.
Agora te vejo sofrendo sóbria, a epiderme arrepiada pela exposição.
O seu amor no chão, vivenciando seu futuro motivo de vingança.
E eu só pareço mais uma criança.
Canto e danço como Gene Kelly, embora a paixão por Ludwig van ainda seja meu combustível.
 
Se me tentam tirar o dom da liderança...
Bem, bem, bem, bem, bem...
Não podem tirar o que nasceu comigo e me reconhece como um soldado nazista ao Führer.
Diga-me seus planos como líder, eu os executo.
A mulher-gato me parece uma vítima difícil. Mas não impossível
(...) 
Vítima EU me torno. Um vidro de moloko me cega, e inicia-se a pré-vingança de minha própria existência.
Anos encarcerado pela palavra de Deus.
Descobri uma saída! Podes me dar outra chance?

A saída é o governo, e mal sei que a chance é uma droga.

Ah, irmão. O que fizeram comigo não tem pequena dimensão.

Me reviraram o organismo, me tornei vítima novamente, mas dessa vez de minhas atitudes.
As vi em uma tela, os olhos regados e nunca fechados.
Este humilde narrador sofreu, irmão.
"Provei" à sociedade que estava curado, não podia imaginar que meu fim poderia estar próximo.
Mais uma vez em vítima me transformo, me perseguiram os perseguidos, e dessa vez também a sociedade.

Ahh, irmão, mas eu saí dessa ainda que muito ferido. Mas só um pacto, um acordo com o senhor que me deu a chance depois do cárcere bíblico pôde me curar.

Aplaudem-me sob a neve clara, assistem a minha célebre vitória, e apreciam a bela melodia, meu querido Ludwig van.

Roberta Scheer